Caravana Farkas

Rastejador, s.m. (1970)

Junho 23, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração
: 25’
Formato: 16mm, ampliado para 35mm
Direção: Sérgio Muniz
Produção: Thomaz Farkas
Fotografia: Thomaz Farkas
Som direto: Sidnei Paiva Lopes
Música: A. Calunga
Produção Executiva: Edgardo Pallero
Montagem: Sérgio Muniz

O Rastejador é um homem do Sertão. Ele é, de fato, um fruto do meio e do momento. Ele tem o conhecimento necessário para subsistir dele. Do meio natural tira o que precisa para a sobrevivência dele e do grupo em que está instalado. O Documentário de Sergio Muniz mostra um Rastejador em atividade. Como o verbete mostra, é justamente o Rastejador o homem dentro do bando que é incumbido de observar o solo e dele retirar o que é oferecido. Nenhum momento deixo de me impressionar a autoridade com que o Rastejador mostra o meio onde vive. ele é o homem que vence a aparente inocuidade do Sertão: tira água de onde precisa, faz fogo quando necessário. Imagino que não possa-se pontuar qualquer temporalidade ao trabalho do Rastejador. Ainda que possa-se pensar no desaparecimento dos bandos de bandidagem social (como o Cangaço), o Rastejador é o homem que sabe viver onde vive.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , ,

Vitalino / Lampião (1969)

Junho 20, 2008 · Não Há Comentários

b&p
Duração
: 9’5’’
Formato: 16mm
Direção: Geraldo Sarno
Produção: Saruê Filmes e Thomaz Farkas
Fotografia: Thomaz Farkas e Geraldo Sarno
Narração: Othon Bastos
Montagem: Geraldo Sarno.

Mais um materializador do imaginário popular é tema central do documentário “Vitalino / Lampião”. Geraldo Sarno conduz a entrevista com Vitalino Filho, cujo trabalho herdou de seu pai e é o de modelar bonecos de barro puro. Como escutamos na narração de Othon Bastos, : “A arte aqui é a de produção, pois a concepção é coletiva”. Dar forma ao imaginário popular é tema mais que recorrente nos documentários da Caravana Farkas. Deste, em especial, passamos a totalidade do filme embriagados pelo talento de Vitalino confeccionando a figura do matador mais conhecido do Nordeste clássico, enquanto escutamos o maravilhoso canto popular sobre o mesmo. Entretanto, a narração mais uma vez adverte ao artista popular que os tempos já eram outros e a maldição sobre a arte fora de sua reprodutibilidade técnica estaria cada vez mais se agravando. Além disso, friso mais uma vez o maravilhoso trabalho de Affonso Beato cujas imagens, essas sim, povoam o meu imaginário de belos documentários feitos no Brasil.

→ No CommentsCategorias: Uncategorized
Tagged: , , , ,

A Cantoria (1970)

Junho 20, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração
: 14’30’’
Formato: 16mm, ampliado para 35mm
Direção e Roteiro: Geraldo Sarno
Produção e fotografia: Thomaz Farkas
Música (cantadores): Lourival Batista e Severino Pinto
Som direto: Sidney Paiva Lopes
Montagem: Eduardo Escorel
Produção executiva: Edgardo Pallero

“Se fosse um bacharel, talvez seria medíocre”, diz um dos cantadores que se enfrentam na noitada. “A Cantoria” é um belo registro documental dirigido por Geraldo Sarno. Na melhor forma possível do repente e com vozes acima do tom das violas, dois cantadores desafiam-se proseando em diferentes modalidades deste estilo. É um delicioso diálogo cantado em meio a provocações entre os dois cantadores. Uma bela entrevista é conduzida por Sarno, e descobre-se duas figuras completamente lúcidas e apaixonadas pelo que fazem, e o prazer é completamente nosso. Destaque para o trabalho de Sergio Muniz, de interpretar e legendar a difícil fala do repente, apurando nossa compreensão da brincadeira dos cantadores.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , , ,

Casa de Farinha (1969-70)

Junho 20, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração: 13’
Formato: 16mm
Roteiro e Direção: Geraldo Sarno
Produção: Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato e Lauro Escorel,
Som direto: Sidney Paiva Lopes
Música: Ana Carolina
Montagem: Eduardo Escorel

“A Casa de Farinha” ilustra o processo de extração da mandioca e a obtenção de seus subprodutos: a farinha de mandioca e a goma. É um difícil processo por qual a matéria-prima deve passar antes de ser utilizável: a eliminação da ‘manicoeira’ (ácido clorídrico) marca boa parte do processo. Além da dificuldade em sua obtenção, um depoimento sincero de um trabalhador da casa de farinha (que diz que ‘fala a verdade até a morte’) mostra a dificuldade que se tinha (e, acredito, se tem) em vender o produto final, devido principalmente à grande oferta de produtores de farinha. A mandioca é facilmente cultivável pois adapta-se a qualquer solo e qualquer clima, por isso o fato de ter tornado-se, além de comerciável, agricultura de subsistência e alimento principal na mesa do nordestino nesse espaço-tempo datado. Belas imagens ritmadas (que em alguns momentos lembram-me de ‘O homem com a câmera’, de Vertov) somadas à boa escolha de trilha-sonora marcam o clima por muitas vezes tenso do documentário.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , ,

Os Imaginários (1970)

Junho 20, 2008 · Não Há Comentários

b&p
Duração
: 10’
Formato: 16mm
Roteiro e Direção: Geraldo Sarno
Produção: Saruê Filmes e Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato, Lauro Escorel e Leonardo Bartucci
Música: Ana Carolina
Narração: Othon Bastos
Produção executiva: Edgardo Pallero
Montagem: Eduardo Escorel

Não haveria um título melhor para o documentário que “Os Imaginários”. Este retrata o trabalho dos romeiros, artesãos que tem a incumbência de materializar o que habita o imaginário popular e religioso. O trabalho destes é sobretudo procurado por turistas, que sentem a necessidade de ver nas imagens produzidas o mais rústico material e habilidades: como explica o filme, as imagens deixam de ser pintadas e são trabalhadas apenas com canivetes, na procura de um suposto aspecto mais ‘condizente’ com o Nordeste tratado Uma das canções que ilustram o filme diz: “Documente que o Nordeste está mudado”. De fato, a discussão vai além, pensando-se no que o “Subdesenvolvido” significa para a região e qual a impressão que alguém de fora do espaço-tempo datado espera deste.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , , , ,

Jornal do Sertão (1970)

Junho 20, 2008 · Não Há Comentários

b&p
Duração: 13’30’’
Formato: 16mm e ampliado para 35mm
Roteiro e Direção: Geraldo Sarno
Produção: Saruê Filmes e Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato, Thomaz Farkas e Leonardo Bartucci
Som direto: Sidnei Paiva Lopes
Narração: Tite de Lemos
Produtor executivo: Edgardo Pallero, Montagem: Eduardo Escorel.

Antes do rádio chegar ao Nordeste era necessário algum meio pelo qual os sertanejos soubessem o que se passava no extracampo. O “Jornal do Sertão” problematiza essa questão e mostra a significativa mídia que o tempo-espaço em questão requisitava. Mais uma vez o repente e a cantoria entram em cena: era através de folhetins compostos pelo repente escrito (normalmente em sextilhas ou em decassílabos), ilustrados por capaz provenientes de uma matriz feita em madeira, que os sertanejos obtinham algum tipo de informação, tanto no que concerne aos mitos já tão inseridos no imaginário popular quanto sobre informações da atualidade. Mais que uma Cantoria é explorada no documentário, bem como um belo duelo de uma dupla de repente que expõe o vértice dessa arte. Após a vagarosa chegada do rádio no Nordeste, alguns desses formatos foram se transformando para preservar seu lugar diante da sociedade. No entanto, a produção popular ‘clássica’ e bem definida ainda tem seu lugar, às vezes em um Sertão ainda mais afastado dos dedos da tecnologia.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , , , ,

O Engenho (1970)

Junho 19, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração: 9’30’’
Formato: 16mm e ampliado para 35mm
Roteiro e Direção: Geraldo Sarno
Produção: Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato e Lauro Escorel, Som direto; Sidnei Paiva Lopes
Música: Ana Carolina
Narração: Paulo Pontes
Produção executiva: Edgardo Pallero e Sérgio Muniz
Montagem: Eduardo Escorel

Mais um dos grandes produtos da economia e da subsistência do Sertão Nordestino, a cana-de-açúcar, desde sua extração até ocozimento e resfriamento em forma de rapadura, é o objeto do documentário “O Engenho”. Filmado na região do Vale do Cariri, “O Engenho”, bem como “a Morte do Boi”, é um documentário que, dentro do espaço-tempo datado, vem a documentar outro aspecto essencial da economia do Sertão Nordestino dos anos 69 e 70 cujos desdobramentos e importância estendem seus dedos até hoje, tanto na alimentação quanto na produção industrializada.

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: , , ,

A Vaquejada (1970)

Junho 11, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração: 10’5’’
Formato: 16mm, ampliado para 35mm
Roteiro e Direção: Paulo Gil Soares
Produção: Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato
Som direto: Sidnei Paiva Lopes
Música: Cego Birrão do Crato
Montagem: Geraldo Veloso

Evento completamente desconhecido por mim até assistir ao documentário, a Vaquejada, segundo Ariano Suassuna: ‘desempenha o mesmo papel que a Tourada, na Espanha.’. Consiste numa grande festa em que os vaqueiros (agora, em cima de cavalos) têm como objetivo derrubar o boi que foge no menor espaço em que este possa decorrer. Os planos sonoros consistem na bela declamação de poemas sobre o evento, em primeiro plano, bem como nos cantos do Cego Birrão do Crato, além das eventuais explicações sobre o assunto pelo mestre Suassuna.
Destaco, sempre, o trabalho de Affonso Beato como diretor de fotografia e câmera. Parte do meu interesse por documentários é fruto das imagens concebidas por Beato desde o começo da década de 60.

 

→ No CommentsCategorias: Filmes
Tagged: ,

A Morte do Boi (1970)

Junho 9, 2008 · Não Há Comentários

Cor
Duração: 10’5’’
Formato: 16mm, ampliado para 35mm
Roteiro e Direção: Paulo Gil Soares
Produção: Thomaz Farkas
Fotografia: Affonso Beato
Som direto: Sidnei Paiva Lopes
Música: Banda de Pífanos do Crato
Montagem: Geraldo Veloso

Uma exposição pontual e objetiva do abate do boi e a obtenção de seus subprodutos, no tempo/espaço datado. Foi o primeiro filme da Caravana que assisti e que “fisgou” minha curiosidade para a manutenção da pesquisa. As imagens do abate do boi, bárbaras, no sentido pontual da palavra, transmitem uma bela coragem bem como um gosto apurado para com um objeto de pesquisa. Acredito que “A Morte do Boi” alia-se diretamente ao conceito de subdesenvolvimento no cinema, especialmente no cinema documentário, de, como ja dito, um espaço datado: antes do espaço nordestino, o espaço brasileiro.

→ No CommentsCategorias: Uncategorized
Tagged: ,

Introdução

Junho 9, 2008 · Não Há Comentários

O Objetivo deste blog é traçar um diário em relação a uma pesquisa sobre o grupo de 19 documentários produzidos nos anos de 1969 e 1970 no nordeste brasileiro que ficou conhecido como Caravana Farkas. Thomas Farkas foi o produtor destes filmes e o grupo de diretores incluem figuras como Paulo Gil Soares, Geraldo Sarno e Sergio Muniz.

Justifico este trabalho primeiramente pelo fato de não existir muitos estudos em relação ao tema (pontualmente, apenas algumas teses acadêmicas de maior peso) e, principalmente, pouca referência sobre este na Internet.

Acredito ser interessante, como começo de trabalho, uma exposição horizontal dos filmes produzidos, depositando aqui fichas técnicas dos filmes, bem como uma pequena explanação sobre seus temas. A exposição imagética também torna-se sumariamente necessária. Para isso, pretendo depositar séries de screenshots dos filmes (obtidos, basicamente, de tranmissões televisivas pontuais e uma ou outra fonte de acervos pessoais).

 A Caravana Farkas é um campo significativo no documentário brasileiro, no que concerne tanto à estética utilizada (variante entre os trabalhos) e os temas abordados.

→ No CommentsCategorias: Uncategorized
Tagged: , , ,